27 de agosto de 2009

Colca Canion

Chegamos em Arequipa. Uma importante cidade do sul do Peru e porta de entrada para quem quer conhecer o Colca Canion. Arequipa é grande e animada. A regiao da Plaza de Armas é organizada e com uma bonita arquitetura colonial. Conhecida como cidade branca pois, suas contruçoes sao feitas de um tipo de rocha vulcânica branca chamada sillar, que é caracteristica da regiao. Comemoramos meu aniversário por aqui com uma baladinha e um jantar. Foi bom, mas foi estranho comemorar longe dos amigos e familiares.



Passamos dois dias em Arequipa para conhcer a cidade e nos informar sobre as opçoes de trilha na regiao do Colca Canion. Nao tivemos muito sucesso, ao menos conseguimos comprar uma mapa topográfico da regiao. As agências oferecem muitas opçoes, mas o preço é uma pouco salgado e as trilhas disponíveis nao nos agradou muito. Resolvemos ir sozinhos. Nos preparamos um dia antes e embarcamos cedo em uma ônibus para Cabanaconde. Para quem pretende conhecer a regiao: fique esperto para nao comprar tickets que te oferecem neste onibus. Eles alegam que é uma taxa obrigatoria de entrada para o parque mas depois vimos que isso é malandragem. Sorte que nao caimos nessa.


Começamos baixando o canion sentido a um oásis que existe no vale. É uma estrutura muito legal com piscinas, local para acampar e até quartos. Três horas baixando e dormimos por lá. Nossa intençao inicial era ir até Madrigal que, pelo mapa, parecia nao ser tao longe. No outro dia pela manha perguntamos ao funcionário do oásis quanto tempo levariamos até Madriagal. A reposta foi decepcionante: 2 dias. Nao havia caminho pelo canion teriamos que subir ate uma montanha chamada Bomboya de 5000m para conseguir chegar a Madrigal. Mudança de planos: decidimos ir até San Juan, passando por Tapay, e no outro dia subir novamente para Cabanaconde. Essa é a trilha mais comum da regiao, mas normalmente se faz no sentido contrario. Chegamos em Tapay, um povoado muito antigo e amistoso. Com muitas terraças e atividade agrícola intensa. Para San Juan seriam aprenas 30 minutos e resolvemos dormir em Tapay. Encontramos uma hospedagem familiar, simples, mas suficiente para passarmos a noite. Ao conversar com a familia perguntamos sobre a trilha de Madrigal. Informaçoes daqui e dali e resolvemos retomar a ideia original: ir até Madrigal. Seriam 12 horas caminhando, segundo eles em uma trilha bem marcada e uma paisagem muito bonita. Essa é uma parte mais isolada e nao encontraríamos nenhum povoado até Madrigal.


Saimos bem cedo, 5 da manha, sem saber bem ao certo o que nos esperava. Começamos a subir, subir, nos perdemos um pouco, achamos o caminho e voltamos a subir e subir. Chegamos a bifurcaçao que nos haviam informado e pensamos que a subida estava por terminar. Triste engano, estava apenas começando... Era subida que nao acabava mais. Subimos 2000m e chegamos apenas na metade do caminho, no horário que deveríamos, na verdade, estar chegando em Madrigal. Estavamos a 5000m de altitude e faltava muito pela frente. Sorte que nos preparamos para o pior, tinhamos tudo para acampar, comida e principalmente água. Ufa!! Baixamos o máximo que conseguimos para nos proteger do vento e acampamos no maior frio. Outro dia e ânimo revigorado para terminar a enrascada que haviamos nos metido. Durou pouco, pois logo descobrimos que estamos novamente no caminho errado. No dia anterior ao baixar para encontrar local para acampar nos desviamos do caminho. Mais subida para tentar achar o caminho novamente e digo que nao é nada fácil caminhar ao 5000m de altitude. Duas horas depois entavamos de volta a trilha e felizes por nao ter mais que subir. Realmente a paisagem deste lugar é espetacular. Caminhamos em nível por uma hora e meia. Vimos muitos passáros, cervos, montanhas e dois condores. Indiscritível. Começamos enfim a descer e podiamos ver ao longe Madrigal e logo abaixo um empresa que parecia uma mineradora. Fomos direto em direçao a empresa. Mais uma vez nos perdemos, mas agora podiamos ver a civilizaçao e seguir uma direçao nem que fosse "quebrando mato". Bom, este epsódio foi triste, pois estavamos exastos e com muita vontade de chegar. Vimos uma trilha abaixo e na tentativa de seguir esta direçao eu tropecei e cai com minha mao em cima de um cactus. Tinham mais ou menos uns 30 espinhos na minha mao e ante-braço, além do proprio cactus dividido em vários pedaços de mais ou menos 10cm cada. Sem comentarios. Meia hora para se recuperar e de volta a longa descida. Finalmente chegamos a empresa mineradora...abandonada!! Encontarmos uns dois porteros que foram muito gentis e conseguimos uma carona para Madrigal com uns "muchachos" que cortavam árvores por lá. Um carro caindo aos pedaços, mas sem perigo pois nao passava dos 40km/h. Conversando com o motorista combinamos dele nos taxiar ate Chivay de onde tentariamos pegar o onibus para Arequipa. Chegamos em Chivay já eram 20:00h. Exauridos, loucos por banho e conforto, e o Rurik começando com uma infecçao intestinal. Nao conseguimos onibus neste dia para Arequipa e ficamos em Chivay. Fomos no outro dia pela manha. E finalmente Arequipa!!!


Caminhada??? Acho que vamos dar um tempo agora! Queremos sombra e água fresca. Por isso a próxima parada será Huacachina. 600m de altitude, com dunas, calor e piscina.




Postado por: Laura

24 de agosto de 2009

Lago Titicaca

Nossa visita pelo lago Titicaca começou ainda em terras bolivianas. Copacabana é uma cidadezinha a beira do lago que faz divisa com o Perú. O nome vem de "Capa Kahuana" que em quechua significa algo como bela vista. O que nos indica que aqui é a original Copacabana, porém nao diria que é mais bonita. O ponto turistico mais famoso, sem dúvida, é a Ilha do Sol. Do porto saem muitos barcos turisticos diários para lá. É uma passeio bem tranquilo e bem legal também. O barco te deixa normalmente na parte norte da ilha onde tem algumas ruínas incas e de lá se pode caminhar até a parte sul. A caminhada leva de 3 a 4 horas e sem dúvida vale a pena. A vista é sempre muito bonita. Se pode também dormir na ilha. Há muitos hostals e é possivel fazer também uma caminhada que vai ainda mais ao sul da ilha. Nesta parte se pode visitar uma ruina de castelo Inca que vimos apenas do barco.






De lá saímos da Bolívia e uma nova etapa de nossa viagem começou. Entramos no Perú. Chegamos em Puno a tarde e o Perú logo no início se mostrou um pouco mais organizado que a Bolívia. Bom, nao criem muitas expectativas. Depois de 1 mes na Bolívia nao foi preciso muito para nos agradar com relaçao a estrutura das cidades. Em Puno também os passeios pelo lago sao tao turisticos como no lado boliviano. O mais comum é a visita as ilhas flutuantes e a ilha Taquile. Mas antes disso passei um dia de molho no hotel, resultado de um revertério alimentar, que é bem comum entre os turistas daqui. Enfim, passado o mal estar voltamos a jornada. O barco normalmente começa a visita pelas ilhas flutuantes. Essa ilhas sao feitas de totora um tipo de junco que flutua e é muito caracteristico do lago titicaca. Com a totora eles fazem barcos, ilhas, casas, artesanato, etc. Eles usam de algumas técnicas para ser possível morar em uma ilha artificial. Deve-se renovar a totora frequentemente por causa da umidade e principalmente tomar cuidado ao cozinhar para nao pegar fogo na ilha. Na ilha que visitamos (ilha de Uros) moram 8 familías, mais ou menos 25 pessoas. O que leva as pessoas a morarem em uma ilha de capim? Boa pergunta! Sei que existem em todo lago 60 ilhas artificiais. Destas apenas 30 permitem o turismo. Mas a maior dúvida: onde é o banheiro da ilha? Nao vimos nenhum nos poucos metros quadrados onde moram essas 25 pessoas.



Depois uma parada na ilha Taquile. Esta ilha fica bem distante da margem do lago. Sao 3,5 horas de bastante paciencia. A ilha é muito bonita e o interessante é observar os costumes das pessoas que vivem lá. Eles se identificam através de seus gorros. Um tipo sao para os casados, outros para os solteros e outro para as autoridades.



É tradiçao também o tear. Taquile é considerado patrimonio da humanidade por tecerem a mao um tecido muito fino e detalhado. Entre outras tradicoes eles sempre fazem questao de manté-las. Almoçamos na casa de uma dos moradores com uma maravilhosa vista para o lago. Além da deliciosa truta que nos serviram eles também fizeram uma apresentaçao de danças típicas. Em uma delas eles no puxaram para dançar algo muito parecido com nossa famosa quadrilha.



Mais 3,5 horas depois estavamos de novo em Puno e nos preparando para mais uma aventura em Arequipa.

Postado por: Laura

12 de agosto de 2009

Downhill Coroico

La Paz é uma cidade com muitos destinos de aventura.
No centro da cidade se encontram as principais operadoras de turismo e as opçoes para se divertir sao muitas.
Desta vez escolhi uma descida de bicicleta pela chamada "Estrada da Morte". A Laura optou por descansar esse dia pois ela nao gosta de downhill e o Huayna Potosi exigiu bastante da gente.




O downhill de Coroico é uma das opçoes mais conhecidas da regiao. Diariamente mais de 100 ciclistas descem os 64 km de La Cumbre (a 4.700m de altitude) até a vila de Coroico (a 1.200m).









As operadoras costumam ter bicicletas de excelentes marcas (Scott, Trek, GT) porem a manutençao deixa a desejar. Os aros normalmente estao empenados, freios (item muito importante para downhill) que falham, etc. Por isso, o mais importante é evitar as operadoras que cobram muito barato.


A descida é perigosa por causa da estrada, nao há proteçao e nem acostamento na maior parte do caminho, e os precipícios chegam a ter 800 m. Por outro lado o tráfego de veículos é quase nulo. Desde 1998 morreram pelo menos 13 pessoas. Assim, o negócio foi descer abusando do freio.
A sempre descida é espetacular. Comecando com montanhas geladas e terminando com mata tropical. O inicio da descida tem asfalto e transito, depois a estradinha de terra. Para fechar o passeio, um almoço e banho de piscina num hotel fazenda. Esse sim foi um passeio tranquilo, mais concentraçao do que esforço. Na medida!


Postado por: Rurik

11 de agosto de 2009

Espetacular Cordilheira Real

Chegamos em La Paz. Capital da Bolivia. Com 1,5 milhoes de pessoas, La Paz mantem as caracteristicas das outras cidades bolivianas, só que em grandes proporçoes. Ficamos na regiao do Prado, ou seja, no centro da cidade. Aqui se encontra de tudo para os bolivianos e para os turistas. Para os turistas é um bom lugar para se ficar pois tem muitos hoteis, agências de turismo e lojas com todo tipo de artesanato. O mais interesante é que esperava encontrar alguns supermercados, lojas grandes, talvez um shopping: coisas que ha nas cidades grandes, mas, aqui o comercio é na rua. Quer comprar chocolates e bolachas? - Vá primeira direita da rua Tumusla. Quer compar tecidos? - Pasaje Aroma. Roupas? - Rua Llampu. E tudo na rua: os artigos a venda, as pessoas, os carros, os ônibus. Enfim, aqui também finalmente encontramos internet rapida e uma loja de fotografia para fazer backup de nossas fotos.

Como nao poderiamos deixar de conhecer a Cordilheira Real, que está ao lado de La Paz, fomos a algumas agencias de turismo para saber o que ofereciam. Decidimos entao subir a Huayna Potosi, uma bela montanha de 6088m. E antes disso resolvemos fazer uma caminhada de 3 dias pela cordilheira que terminava no campo base dessa montanha. Que seria bom para conhecer a cordilheira e aclimatar para a montanha.




Começamos nossa jornada de 5 dias em pleno feriado por aqui. Como já disse em outra postagem dia 6 de Agosto é dia da independência da Bolivia. Pegamos o maior transito para sair de La Paz. Todos iam para Copacabana que teve 2 dias de festa em comemoraçao. Enfim, saída de feriado é sempre assim. Chegamos entao a Tuni, um pequeno povoado perto da montanha Condoriri, e início de nossa caminhada. Lá também organizamos as mulas que iriam nos acompanhar e aliviar o nosso peso durante o caminho. Este dia fomos até o campo base do Condoriri e lá acampamos. É um lugar lindo. Uma lagoa verde escura e rodeadas de varias montanhas nevadas, um parque de diversao para quem gosta de subir montanhas.


(1) lagoa - primeiro acampamento (2) Condoriri com acampamento


Nosso segundo dia de caminhada foi mais longo e igualmente bonito, muita subida e descida e muitas montanhas nevadas como paisagem. Ficamos em um pequeno povoado chamado Maria Llorca onde também acampamos com o Huayna Potosi ao fundo só que nao subiriamos por esse lado para minha sorte pois me parecia impossível. Neste dia nevou a noite. Inacreditavel, pois a tarde anterior estava um céu azul sem uma nuvem. Quando acordamos estava tudo branco lá fora. Paisagem espetacular, muito frio e tudo molhado. Fechamos tudo e partimos para o último dia da caminhada. Que foi bem tranquilo. Sempre com a Huayna Potosi ao fundo que contornamos por um passo para chegar ao campo base da nossa próxima jornada. Ao chegar encontramos alguns brasileiros que trabalham na embaixada do Brasil por aqui e que acabavam de descer da montanha. Eles nao tiveram muita sorte pois pegaram o mal tempo para subir.


(1) último dia de caminhada - tempo ruim (2) Huayana Potosi


Bom, fizemos nossa ascençao em 2 dias. Primeiro dia subimos até o campo alto. Chegamos cedo e fomos fazer um pouco de prática para eu aprender a andar com crampons e algumas outras dicas de como andar no gelo. Matamos o resto do tempo jogando cartas. E no outro dia à 1:00 da madrugada acordamos para começar a subir. Estava um noite linda, por sorte o tempo estava ótimo. Uma lua cheia e um céu estrelado. Nem foi preciso lanterna pois a luz da lua refletia na neve e deixava tudo suficientemente claro. Subimos, subimos e subimos e quanto mais alto mais difícil e depois de 6 horas finalmente chegamos ao cume. Foi uma experiencia maravilhosa. Mas também muito dura. A descida foi também bem cansativa, mais 4 horas. Por fim chegamos ao campo base e de volta à La Paz. Cansados, loucos por um bom banho, mas felizes com a conquista.






Postado por: Laura

4 de agosto de 2009

7 dias em Lipez

Agora sim a brincadeira começou a ficar interessante.
Em Tupiza (no sul da Bolívia) fechamos uma viagem de 7 dias pela região de Sud e Nor Lipez. Essa região, vizinha ao Deserto do Atacama, possui muitos atrativos como vulcões, desertos, salares, geisers, águas termais, minúsculos povoados isolados, pedras, lagos coloridos e ate múmias pré-incas muito bem conservadas. Ao todo foram mais de 35 atracões. Ou seja, muita coisa interessante.
O percurso total de 1300km foi feito num Toyota 4x4 contendo todo o suprimento necessário (agua, gasolina, comida, mochilas, utensílios de cozinha, fogão, etc). O grupo foi composto por Ruben (o motorista, guia e também mecânico), a cozinheira Maribel, a belga Aagjie, o argentino (porem muito gente boa) Lucas e nós. Excelente grupo, sem frescura e com muito bom humor durante toda a viagem. Ainda bem que estávamos um pouco aclimatados, pois 90% do percurso estava acima dos 4000m de altitude, ou seja, pouco oxigênio e muito frio.



Nossos pernoites foram em povoados minúsculos, refúgio de montanha e hotel de sal (o único pernoite com banho).
O lugar é muito impressionante. Praticamente não há vegetaçao, apenas pedras.
Os desertos são enormes. Os vulcões são altos (entre 5.500m e 6.000m). As aguas calientes (de 33 graus) contrastam com o vento muito frio (abaixo de zero). As múmias estão intactas com seus materiais de caça e utensílios domésticos. E o melhor, não estão dentro de redomas de vidro como nos museus tradicionais, elas estão em cavernas e tocas como sempre viveram, realçando a originalidade. As lagoas são coloridas, cada uma de uma cor devido aos minerais provenientes dos vulcões (amarela, verde, vermelha, branca, etc). Mas o que mais nos impressionou foram os povoados. Eles retiram do nada, tudo o que necessitam para sobreviver. E o melhor, vivem felizes. Sempre sorrindo, ou então se escondendo de nós. Sua vida é baseada na escassa agricultura de quinua e criacao de lhamas e ovelhas. Sua língua principal é o quechua, e raramente falam espanhol.







Nós também subimos o vulcão Licancabur, com seus 5.960m de altitude. Uma pernada puxada de 8h. Valeu pela aclimataçao, superaçao e visão lá de cima.

Por fim, conhecemos o deserto de sal do Uyuni. Uma enorme mancha branca possível ver do espaço e com ate 40 metros de profundidade. É uma planície branca que se leva cerca de 3h para se atravessar. Há até uma ilha no meio desse enorme deserto, a Isla del Pescado. Ela esta coberta por um tipo de cactus com mais de 12 metros de altura e alguns beirando seus mil anos.

Enfim, a região oferece muita coisa para se conhecer e com relativo conforto.
Essa trip vale a pena conhecer.






Algumas dicas:
1. Não fechar passeios de 4 dias como a maioria faz, pois os dias ficam muito corridos e não se conhece tudo. Vale gastar pelo menos 6 dias.
2. A agencia de Tupiza Grano d' Oro é nota 10. Os donos são muito responsáveis e atenciosos, é certeza de satisfacao no final do passeio.
3. No verao o acesso ao salar fica restrito devido a chuva, a melhor época é o inverno.

E agora, que venha a Cordilheira Real!






Postado por: Rurik