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17 de setembro de 2009

Cordilheira Huayhuash

Nosso rumo segue a norte. Resolvemos ficar um dia em Lima para procurar uma nova maquina fotografica, pois ainda temos 1 mes de viagem pela frente. Nao gastei muito tempo e logo encontrei o "stand center" peruano. Comprei a mesma máquina com uma lente um pouco mais barata que a antiga. Pechinchei, pechinchei e fechei negocio com o chines. Maquina nova, animo novo, tudo pronto e vamos pra frente. Ficamos num albergue no famoso bairro de Miraflores. Lugar de primeiro mundo, tudo organizado, arborizado, policiado, etc, etc. No albergue, o dono ainda resolveu assar uma carne. Beleza, já estava até esquecendo oque era isso. No fim das contas Lima acabou me surpreendendo, é uma cidade que merece sim uns dias de passeio.

Mas o objetivo estava mais ao norte, a cidade de Huaraz com suas enormes cordilheiras. Seguimos mais 10h de viagem e chegamos na pequena cidade. Esse é um lugar que todos aqueles que gostam de montanhas precisam conhecer. O lugar é cercado por tres cordilheiras , a cordilheira Blanca, Negra e a Huayhuash, e por isso serve de base para escaladores e andarilhos. Este lugar possui a maior densidade de picos superiores a 6000m da America. Sao mais de 40 picos em apenas 200km de extensao. Inclusive a montanha mais bonita do mundo está lá, o Alpamayo, uma piramide muito dificil de se escalar e que é exibida no início dos filmes da Paramount Pictures. Há tambem muitos sitios arqueológicos ao redor.

muitas caminhadas na regiao, de 1 a 15 dias. Optamos pelo contorno na cordilheira Huayhuash, uma caminhada de 8 dias e considerada uma das mais bonitas do mundo. O caminho passa por vales enormes, passos superiores a 5000m, lagoas coloridas, povoados isolados e muitas montanhas a vista. Enfim, uma trilha clássica. Porem dessa vez fizemos questao de contratar servicos de uma agencia, afinal 8 dias é muita coisa para se fazer sozinhos. Nosso grupo foi composto de 2 americanos, o guia e cozinheiro Orlando, o arrieiro Tito, nós, 4 burros para carga e 1 cavalo de emergencia caso alguém precisasse. Caminhamos uma média de 7h todos os dias, porém sem muita carga nas costas. Mas o maior conforto é ter um cozinheiro a disposicao. Todos os dias contamos com um café da manha, um snack para a trilha, e uma janta caprichada (com entrada, principal, sobremesa e cha pra finalizar). Encontramos outros grupos na trilha, inclusive um de brasileiros. E por coincidencia, um colega do Adventure Camp (o Miltinho) estava lá. Eta mundinho pequeno.


No meio da trilha tivemos o prazer de ver a enorme Siula Grande, a montanha que foi palco do acidente com dois escaladores ingleses e que virou o livro e filme Tocando o Vazio ("Touching the Void"). Do alto do passo Santo Antonio foi possível ver o caminho que um dos escaladores teve que percorrer por dias, ferido e sozinho para retornar ao acampamento base. Incrivel! Alem disso, vimos varios condores. Alguns deles passaram bem proximos a nos. Muito bonito. Tambem ouvimos muitas estorias acerca dessa regiao. Algumas envolvendo o antigo grupo maoista Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionario Tupac Amaro). Esses grupos atuaram na regiao e deixaram sua marca de sangue. Alem disso, ouvimos alguns recentes casos de roubo e assalto nos acampamentos. Por isso acho importante contar com pelo menos um arrieiro local nas trilhas por essa regiao. Mas a beleza dessa trilha compensa os riscos. Ate o momento esta é a trilha mais bonita que ja fiz.








Algumas dicas do lugar:
1. As trilhas da regiao necessitam aclimatacao. Vimos alguns turistas com problemas porque iniciaram a trilha logo que desceram do aviao.

2. Levar dinheiro trocado para pagar taxas que beneficiam comunidades locais, pois sao obrigatorias.

3. Contratamos e recomendamos a agencia Galaxia para esta trip. Algumas outras agencias oferecem o servico por um preco mais em conta, porem com um nivel de qualidade duvidoso.
Postado por: Rurik

11 de agosto de 2009

Espetacular Cordilheira Real

Chegamos em La Paz. Capital da Bolivia. Com 1,5 milhoes de pessoas, La Paz mantem as caracteristicas das outras cidades bolivianas, só que em grandes proporçoes. Ficamos na regiao do Prado, ou seja, no centro da cidade. Aqui se encontra de tudo para os bolivianos e para os turistas. Para os turistas é um bom lugar para se ficar pois tem muitos hoteis, agências de turismo e lojas com todo tipo de artesanato. O mais interesante é que esperava encontrar alguns supermercados, lojas grandes, talvez um shopping: coisas que ha nas cidades grandes, mas, aqui o comercio é na rua. Quer comprar chocolates e bolachas? - Vá primeira direita da rua Tumusla. Quer compar tecidos? - Pasaje Aroma. Roupas? - Rua Llampu. E tudo na rua: os artigos a venda, as pessoas, os carros, os ônibus. Enfim, aqui também finalmente encontramos internet rapida e uma loja de fotografia para fazer backup de nossas fotos.

Como nao poderiamos deixar de conhecer a Cordilheira Real, que está ao lado de La Paz, fomos a algumas agencias de turismo para saber o que ofereciam. Decidimos entao subir a Huayna Potosi, uma bela montanha de 6088m. E antes disso resolvemos fazer uma caminhada de 3 dias pela cordilheira que terminava no campo base dessa montanha. Que seria bom para conhecer a cordilheira e aclimatar para a montanha.




Começamos nossa jornada de 5 dias em pleno feriado por aqui. Como já disse em outra postagem dia 6 de Agosto é dia da independência da Bolivia. Pegamos o maior transito para sair de La Paz. Todos iam para Copacabana que teve 2 dias de festa em comemoraçao. Enfim, saída de feriado é sempre assim. Chegamos entao a Tuni, um pequeno povoado perto da montanha Condoriri, e início de nossa caminhada. Lá também organizamos as mulas que iriam nos acompanhar e aliviar o nosso peso durante o caminho. Este dia fomos até o campo base do Condoriri e lá acampamos. É um lugar lindo. Uma lagoa verde escura e rodeadas de varias montanhas nevadas, um parque de diversao para quem gosta de subir montanhas.


(1) lagoa - primeiro acampamento (2) Condoriri com acampamento


Nosso segundo dia de caminhada foi mais longo e igualmente bonito, muita subida e descida e muitas montanhas nevadas como paisagem. Ficamos em um pequeno povoado chamado Maria Llorca onde também acampamos com o Huayna Potosi ao fundo só que nao subiriamos por esse lado para minha sorte pois me parecia impossível. Neste dia nevou a noite. Inacreditavel, pois a tarde anterior estava um céu azul sem uma nuvem. Quando acordamos estava tudo branco lá fora. Paisagem espetacular, muito frio e tudo molhado. Fechamos tudo e partimos para o último dia da caminhada. Que foi bem tranquilo. Sempre com a Huayna Potosi ao fundo que contornamos por um passo para chegar ao campo base da nossa próxima jornada. Ao chegar encontramos alguns brasileiros que trabalham na embaixada do Brasil por aqui e que acabavam de descer da montanha. Eles nao tiveram muita sorte pois pegaram o mal tempo para subir.


(1) último dia de caminhada - tempo ruim (2) Huayana Potosi


Bom, fizemos nossa ascençao em 2 dias. Primeiro dia subimos até o campo alto. Chegamos cedo e fomos fazer um pouco de prática para eu aprender a andar com crampons e algumas outras dicas de como andar no gelo. Matamos o resto do tempo jogando cartas. E no outro dia à 1:00 da madrugada acordamos para começar a subir. Estava um noite linda, por sorte o tempo estava ótimo. Uma lua cheia e um céu estrelado. Nem foi preciso lanterna pois a luz da lua refletia na neve e deixava tudo suficientemente claro. Subimos, subimos e subimos e quanto mais alto mais difícil e depois de 6 horas finalmente chegamos ao cume. Foi uma experiencia maravilhosa. Mas também muito dura. A descida foi também bem cansativa, mais 4 horas. Por fim chegamos ao campo base e de volta à La Paz. Cansados, loucos por um bom banho, mas felizes com a conquista.






Postado por: Laura