13 de outubro de 2009

Reflexões

Depois de 95 dias de experiência andina estamos de volta ao aconchego da família e amigos.
Essa viagem não foi apenas um passeio pelas belezas naturais de três países latinos, mas sim uma grande experiência e aprendizado que mexeu com nossa visão em relação ao mundo e a nós mesmos.

Inicialmente chegamos a nos perguntar se a idéia de percorrer a parte mais pobre da América do Sul de ônibus com apenas uma mochila nas costas seria loucura, mas hoje vejo que basta apenas um pouco de planejamento e disposição. Nós latinos criamos muitas barreiras imaginárias para realizar empreitadas desse gênero. Orçamento, tempo e segurança são as principais âncoras que criamos em nossas cabeças. Mas o fato é que elas não são realidade. O custo médio diário da nossa viagem foi US$96 para 2 pessoas, e poderia ser ainda menor. Alguns viajantes inclusive fazem trabalhos temporários ao longo do trajeto para pagar as despesas da viagem. E como encontrar tempo? Muitos viajam por períodos de até 1 ano, antes ou depois da universidade (principalmente os nórdicos) ou depois do serviço militar (israelenses). Outros saem do emprego (a crise financeira pode ser uma excelente oportunidade) ou obtém a famosa licença não remunerada. E com relação a segurança, nada que um bom seguro viagem, atenção constante e outros macetes que aprendemos ao longo do caminho não resolvam essa questão. Mais alguma barreira?

Essa viagem nos mostrou que há muita coisa bonita aqui do lado. Há muita cultura e história ao longo dos Andes, há também muita culinária interessante no Pacífico, há também muitos recantos tranquilos para se relaxar no litoral ou na floresta. Esporte e aventura não preciso nem citar. Enfim, o mundo também está aqui, inclusive no Brasil. Enfim, acho que os destinos turísticos baseados no eixo América do Norte e Europa deveriam ser reavaliados por nós brasileiros em prol de outros países que oferecem tanta experiência bacana e a um custo certamente mais baixo.
Portanto, o mundo é muito maior daquele que vemos na TV e ele está ao nosso alcance.

Hoje nos sentimos muito felizes por realizar um sonho. Felizes porque conseguimos tornar realidade algo que tinha tudo para ficar "engavetado" em nossos projetos. Felizes também por conhecer um pouco mais dos nossos vizinhos e aumentar nossa identidade sul-americana.

Esperamos que esse blog tenha cumprido o propósito inicial, que foi colocar nossos parentes e amigos a par da nossa viagem, e também colocar informações úteis sobre os lugares por onde passamos caso alguém queira um dia conhecê-los.

Obrigado a todos que nos acompanharam, deixaram comentários e nos enviaram emails durante esse período. Sem dúvida nenhuma esse blog nos deixou mais próximos dos nossos parentes e amigos.

Agora, que venha a grande mudança que nos aguarda.
Que venha o Canadá!




Trilha Inca

Três dias de viagem rumo ao sul e finalmente chegamos a Cusco, antiga capital do império Inca e também última parte de nossa jornada de três meses pelos Andes.

Saímos do Brasil com tudo certo para fazer a trilha inca de 4 dias. Para garantir sua vaga nessa trilha é preciso reservar com pelo menos 3 ou 4 meses de antecendência. A trilha é muito procurada e existe um limite de pessoas por dia que pode ingressar no parque por este caminho.

Antes de iniciar a trilha passamos 2 dias em Cusco. Ao redor de Cusco existe um infinidade de sítios arqueológicos, inclusive dentro da cidade. Visitamos a pedra de 12 pontas que fica em Cusco e também um complexo com 4 sítios arquelógicos que fica bem próximo a cidade.

É realmente impressionante as construções em pedra que os Incas faziam. Pedras enormes finamente talhadas e perfeitamente encaixadas formando grandes muros e complexas construções. Existe muitas histórias sobre a civilização Inca. Infelizmente os incas não tinham sistema de escrita e por falta de evidências muito se perdeu com o tempo. O que se sabe realmente é que eles detinham grande conhecimento de arquitetura e agricultura. Sabiam manipular muito bem as pedras e eram guerreiros, pois conseguiram expandir seu império, dominando outros povos, desde Argentina e Chile até a Colômbia.

Tinham também conhecimento de astronomia, pois muitas de suas construções foram progetadas para receber luz do sol exatamente no solstício solar e muitas vezes são alinhadas com as constelações.

Tinham um organizado esquema de distrubuição de seus produtos entre a serra e a costa. As cidades se comunicavam entre si através de mensageiros que eram jovens que conseguiam correr grandes distancias em pouco tempo para levar as mensagens de um lugar para outro. Os Incas também não tinham o conhecimento da roda e tampouco existia cavalos na região. Os produtos eram transportados em grandes comboios de lhamas ou pelas próprias pessoas. Os guias dizem que os Incas não faziam sacrifícios humanos, mas as evidências dizem o contrario. E também que na civilização Inca não existiam escravos, particularmente tenho minhas dúvidas. Os guias contam algumas histórias que, pela falta de evidências sobre a cicilição Inca, fico me perguntando como eles podem ter este tipo de informação. Uma das únicas fontes sobre o que foi a civilização Inca é um livro (Comentários Reales de los Incas) escrito por um mestiço chamado Garcilaso de la Vega no séc. XXVII. Ele colhe muitos relatos de descendentes dos Incas da época e transforma em um romance. Existem fortes indícios de que ele ocultou e acrescentou histórias neste livro. Portanto, há de se ter cuidado com o que se acredita das histórias que os guias contam.


Inciamos nossa trilha de 4 dias pela manhã. Nosso grupo continha 15 pessoas, 2 guias e 14 portiadores. Os portiadores levam toda a comida, utensílios de cozinha (inclusive um botijão de gás) e as barracas. Se achar necessário você pode contratar um portiador para levar sua mochila com as roupas e saco de dormir, a maioria contrata. Descobrimos então porque é difícil conseguir vaga nesta trilha, pode-se entrar 500 pessoas, incluso os guias e portiadores. Nossos guias nos disseram que dessas 500 pessoas que entram diariamente na trilha, 180 a 200 são turistas e os outros são porteadores. Achei a trilha tranquila, caminha-se bastante em nível, embora o segundo dia seja praticamente inteiro de subida. Visita-se 4 sítios arqueólogicos bem interessantes no terceiro dia. Particularmente achei a trilha muito bonita. Caminha-se sempre por um caminho largo e com pedras, parte colocadas pelos incas e parte reconstruída. A natureza é uma rara combinação de floresta úmida com montanhas, onde se pode ver muitas espécies de pássaros e flores. Inclusive neste parque ainda vive o quase extinto urso andino.

Mas a trilha tem um grande problema: a quantidade de pessoas que caminham por ela faz perder um pouco o encanto do lugar. Além disso, deve-se ficar atento com os porteadores que passam correndo do seu lado o tempo todo. Enfim, não é o tipo de trilha que se faz procurando silêncio e tranquilidade.

No último dia levantamos bem cedo e caminhamos somente 2 horas para chegar ao santuário sagrado Machu Picchu. É impossível não ficar impressionado. Machu Picchu realmente é incrível. Como eles conseguiram construir aquela cidade de pedra no alto de uma montanha com enconstas tão escarpadas? Não preciso dizer que é extremamente turístico. Por dia calcula-se que 1000 pessoas visitem Machu Picchu. Fizemos um tour com nossos guias e mesmo assim não se consegue visitar toda cidade. Os guias tentam então contar as histórias dos Incas sempre com um certo ar de fantasia, mas não deixa de ser incrível observar as construções. Ficamos horas sentados e olhando para a cidade tentanto imaginar como aquilo deviria funcionar na época dos Incas. E assim terminou a última parte turística da viagem. A partir daí sería meramente comprir tabela até pegar o voo para o tão querido Brasil. Almoçamos esse dia em Aguas Calientes e mais tarde pegamos o trem para Cusco.

No outro dia pegamos o avião para Lima. Neste dia dormimos na casa do Odair, amigo do Rurik que está lá a trabalho por uns meses. Lógico que fomos comemorar juntos o fim da viagem. Ao 12:45 do outro dia estávamos decolando rumo ao Brasil. Agora cheios de expectativas e ideias novas na cabeça.

A única certeza: Tudo valeu a pena!!!


Postado por: Laura

23 de setembro de 2009

Baños e Cuenca

Baños, no Equador, é uma pequena cidade turística localizada na encosta de um vulcão ativo, o Tungurahua (5040m). A cidade é um dos principais destinos turísticos do país pelas suas piscinas de água quente proveniente do interior do vulcão. Mas as atrações não param por aí. A natureza verde ao redor oferece muitas outras opções de diversão. Caminhadas, cavalgadas, pedaladas, quadriciclos, cascatas, swing jump (pêndulo numa corda conectada a uma ponte) e escalada servem os amantes da natureza. Nós escolhemos o mini-bug para conhecer a estrada das cachoeiras. Em quase 4 horas de diversão, conhecemos boa parte do vale repleto de cascatas. E a noite relaxamos numa das piscinas de água quente.
Essa cidade é destino certo para quem viaja para o Equador, pois além de estar próxima da capital Quito, liga a região serrana à região amazônica. Aliás, a Amazônia equatoriana é um lugar com muitos destinos interessantes que gostaríamos de conhecer, porém não temos mais tanto tempo disponível. Temos que seguir viagem em direção Sul, rumo ao Peru novamente.

Após 8 horas de interminável viagem num ônibus precário, chegamos a nosso último destino equatoriano, a cidade de Cuenca. Cuenca é uma belíssima cidade com estilo colonial. Muito bem cuidada, limpa, segura e culturalmente ativa. Logo que chegamos assistimos um festival de danças tradicionais na praça principal. De graça e muito animada. E no dia seguinte presenciamos uma multidão se enfileirando na entrada do estádio municipal para assistir o show de um guitarrista porto-riquenho. A cidade transpira cultura.

Muitos acreditam que Cuenca é a cidade natal dos chapéus Panamá, mas isso não é verdade. Apesar de haver muita propaganda nesse sentido, a cidade natal dos chapéus Panamá é a pequena Montecristi (por onde passamos antes de chegar a Quito). Não encontrei nenhum chapéu super-fino em Cuenca como encontrei em Montecristi. Mesmo assim, vale a pena conhecer o museu e os workshops dos tradicionais chapéus. Encontramos aqui muito mais informações sobre esses chapéus de toquilha. Pelo menos a cidade sabe valorizar essa tradição equatoriana.

Por ser um dos maiores exportadores de rosas do mundo, o Equador se destaca pela beleza das suas flores. Todo o domingo a feira das flores colorem uma das praças do centro. Em geral as rosas do Equador são maiores e há de todas as cores. De tantas rosas disponíveis, as moças equatorianas preferem receber flores de girasol. Em casa de ferreiro, o espeto é de pau.

Ao redor de Cuenca há ainda algumas opções arqueológicas, como Ingapirca, o maior legado Inca do Equador. E também o parque nacional de Cajas, boa opção para caminhadas e passeios ecológicos. Enfim, Cuenca é uma cidade que atende bem todo o tipo de turista.

A partir daqui, nosso objetivo é finalizar nossa jornada em Cusco, com a tradicional Trilha Inca. Que venham as ruínas!

Postado por: Rurik

Metade do Mundo

Chegamos a linha do Equador e ponto mais Norte de nossa viagem. Saímos de Puerto Lopez com destino a Quito. E no meio do caminho fizemos uma parada em Montecristi, uma cidadezinha perto de Manta.são fabricados desde muito tempo o conhecido chapéu Panamá. Famoso, pois personalidades de todo mundo aderiram a moda desse chapéu, principalmente antes de Segunda Guerra. Esse chapéu é feito de palha de toquilla, que é tratada em um processo artesanal e tecida a mão em uma trama fechada em diversos formatos e qualidade. Imaginávamos encontrar as pessoas fazendo o chapéu na frente de suas casas, mas não foi bem assim. Haviam poucos lugares onde encontramos o chapéu. Eles são feitos no campo e depois levados por terminar para as lojas na cidade. O foco, sem dúvida é a exportação para Estados Unidos e Europa. Se encontra o chapéu de diferentes tramas, os semi-finos, finos e super-finos, que nem parecem feitos a mão de tão fechada e fina a trama. Levam meses para serem feitos e custam até U$600. Obviamente não compramos os super-finos, nem os finos. Achamos os semi-finos de bom tamanho e preço.

Depois disso de volta para os Andes. Quito é a capital do Equador. Cidade muito animada e parte importante da história dos Andes. Para entender um pouco mais dessa história vale uma visita ao museu do Banco Central. Muito bem organizado o museu exemplifica todas as civilizações que viveram no Equador desde a idade da pedra até a dominação espanhola. Mostra artefatos e através de maquetes fica fácil visualizar como essas civilizações viveram.

Outro lugar que vale conhecer é o centro histórico de Quito. Um dos pontos mais turísticos da cidade e considerado património da humanidade, logicamente com muitas igrejas, edifícios em estilo colonial e restaurantes.
Sem dúvida Quito é a cidade mais animada que passamos até agora. No final de semana todos vão para os bares, restaurantes e baladas. As ruas ficam cheias de gente de todos os tipos. E lógico que aproveitamos algumas baladinhas por lá.








Visitamos também na região a cidade de Otovalo, cidadezinha ao norte de Quito onde todos os Sábados acontece a maior feira de artesanatos da América Latina. A feira é realmente bem grande e também turística. Tenho que confessar ver as "artesanias" daqui já não nos causa mais impacto. Desde a Bolívia, são quase sempre as mesmas coisas em todos os mercados que passamos. Bom, desta vez pudemos comprar algumas coisas, pois antes teríamos que carregar por muito tempo. Agora o fim da viagem se aproxima.

Em Quito fechamos um tour pelo parque do Cotopaxi para os próximos 2 dias que viriam. A região central e sul do Equador é conhecida como corredor dos vulcões e o Cotopaxi e parte disso. Com um Jeep entramos no parque até um estacionamento de onde fizemos a ascensão ate o refúgio do Cotopaxi e dalí caminhamos um pouco mais para cima para ver um glaciar de pertinho que fica a 5000m. De lá descemos de bike até uma lagoa ao pé da montanha. Este passeio é o mais procurado da região e é muito gostoso e tranquilo. Dormimos em um hotel fazenda muito bom perto da entrada do parque. Sem duvida o melhor lugar que ficamos até agora. No hotel havia até uma sala com banheira de hidromassagem e um excelente restaurante. A casa pertenceu ao militar Simón Bolívar que lutou pela independência da América frente ao governo espanhol e está muito bem conservda.




No outro dia o plano era subir até o Ilinizias um vulcão com cerca de 5000m de altitude. Uma caminhada usada para os que querem se aclimatar para subir o Cotopaxi e com uma vista privilegiada. Mas, o Rurik teve que ir foi sozinho. Acordei com mais uma das indisposições intestinais típicas dessa região e tive que ficar no hotel. A caminhada parece bem legal e não é difícil embora seja uma montanha alta. Enfim vi somente por fotos. Sorte minha que no hotel tinha internet.





Nosso rumo segue ao sul. Próxima parada será Baños.


Postado por: Laura

17 de setembro de 2009

Litoral Equatoriano

Depois de muita dúvida sobre ir ou nao ir para o Equador decidimos por fim enfrentar algumas horas de estrada para conhecer o que conseguissemos nos dias que nos restam de nossa viagem. Cansados de montanhas e frio nosso primeiro destino certamente foi o litoral.

Viajamos quase direto de Huaraz no Perú para Guayaquil no Equador. Com duas paradas: Trujillo e Piura para trocar de ônibus, totalizando 30 horas de viagem. Nem acreditamos quando finalmente chegamos em Guayaquil, um terminal enorme e mais parecia um shopping center, muito arrumado. Tomamos um café da manha e de novo aos guiches para saber que horas sairia o ônibus para Salinas, nosso primeiro destino litorâneo e também o primeiro descanso. Somente mais 1 hora e meia de viagem e lá estavamos, um pouco decepcionados para ser sincera. Salinas é para "los Guayquileños" o que Guarujá é para os Paulistas. Mas devo confessar que até o Guarujá é mais bonito. Aqui também nessa época do ano é sempre nublado, mas isso nós já sabíamos. Salinas também é famosa pela cevichelandia. Ceviche é típico por aqui também. No Perú eles servem com batata doce e milho. Aqui com patacones, que é banada verde e frita. Muito bom também! (obs: a foto acima nao é uma ceviche e sim uma deliciosa mariscada).







No outro dia direto para Montañita, que é um pouco mais ao norte de Salinas. Aí sim posso dizer que começamos a entrar no clima praia que tanto queríamos. A praia é muito mais bonita e agradável. Montañita é um povoadinho bem turistico, destino principalmente dos que gostam de surfar. É um lugar cheio de estilo, com boas pousadas, artesato, turistas, hippies e barzinhos. Para quem nao surfa, como nos, pode-se comer ceviche, beber cerveja, dar uma volta na praia, conhecer o pessoal da regiao.


Descanço e mais descanso. Embarcamos entao para Puerto López. Também na mesma regiao e nao muito longe de Montañita. Puerto López é a cidadezinha mais próxima do parque Machalilla. Esse parque é o único parque litorâneo do Equador e guarda um pouco do que foi um dia o ecossistema do litoral tropical do pacífico. A cidade nao é tao legal quanto Montañita, mas também é bem agradável. Daqui sempre saem passeios para o parque e nessa época do ano para ver as baleias humpback. As mesmas que vimos em Pisco no Peru. Mas, aqui elas chegam aos montes, os biológos contam por volta de 4000 baleias que permanecem de Julho a Setembro no litoral equatoriano para se reproduzir e criar seus filhotes antes de voltar para a Antártida. Fechamos o passeio e incluía também uma visita a "Isla de la Plata" e um mergulho de superfície perto da Ilha. Tudo muito lindo até o barco zarpar. Nao sei se foi o mar que estava um pouco batido ou eu que nao estava bem do estômago, mas deixei até as tripas naquele mar. Tudo valeu a pena. Na ida para ilha vimos quatro baleias: a mae com dois bebês e um macho que estava cortejando a fêmea. Quando o macho quer cortejar ele salta da água e faz várias manobras para mostrar que é forte e tem disposiçao (qualquer semelhança e mera coincidência!). Vimos ele pular e fazer toda graça. Muito bonito e emocionante.

Chegamos a Ilha, para minha sorte, e caminhamos um pouquinho para conhecer as aves da regiao. A mata nesta epoca do ano é bem seca. Eles chamam de floresta seca. É como se ela estivesse hibernando nessa época do ano. Quando começam as chuvas, daqui um mês fica tudo verde novamente. Um dado triste: 95% da floresta seca do pacífico já foi destruída.

Depois fizemos o mergulho que também foi incrível. Muitos, muitos peixes, de todos os tamanhos, formatos e cores. Pena nao ter fotos! Depois de volta ao barco, para infelicidade de meu estômago. Nem acreditei quando pisei em terra firme novamente. No meio dessa noite acordamos com a terra tremendo em Puerto Lopez. Dizem ser comum por aqui esse tipo de pequenos tremores, mas é um pouco assustador acordar com tudo tremendo e ver os quadros também balançando.

Conhecemos também nesta regiao a famosa praia de los Frailes, ela também fica dentro do parque, apenas 10 minutos de Puerto López. Pode-se pegar um taxi ou mesmo um coletivo para a entrada. De lá existe um pequeno circuito para algumas prainhas e um mirador, além da famosa praia que realmente é muito bonita. Tivemos muita sorte, pois conseguimos pegar um pouco de sol, eu até entrei no mar. Dia maravilhoso e bem tranquilo.

Agora devidamente descansados e cheios de novas paisagens na cabeça nossa próxima parada será a capital do Equador, Quito.


Postado por: Laura

Cordilheira Huayhuash

Nosso rumo segue a norte. Resolvemos ficar um dia em Lima para procurar uma nova maquina fotografica, pois ainda temos 1 mes de viagem pela frente. Nao gastei muito tempo e logo encontrei o "stand center" peruano. Comprei a mesma máquina com uma lente um pouco mais barata que a antiga. Pechinchei, pechinchei e fechei negocio com o chines. Maquina nova, animo novo, tudo pronto e vamos pra frente. Ficamos num albergue no famoso bairro de Miraflores. Lugar de primeiro mundo, tudo organizado, arborizado, policiado, etc, etc. No albergue, o dono ainda resolveu assar uma carne. Beleza, já estava até esquecendo oque era isso. No fim das contas Lima acabou me surpreendendo, é uma cidade que merece sim uns dias de passeio.

Mas o objetivo estava mais ao norte, a cidade de Huaraz com suas enormes cordilheiras. Seguimos mais 10h de viagem e chegamos na pequena cidade. Esse é um lugar que todos aqueles que gostam de montanhas precisam conhecer. O lugar é cercado por tres cordilheiras , a cordilheira Blanca, Negra e a Huayhuash, e por isso serve de base para escaladores e andarilhos. Este lugar possui a maior densidade de picos superiores a 6000m da America. Sao mais de 40 picos em apenas 200km de extensao. Inclusive a montanha mais bonita do mundo está lá, o Alpamayo, uma piramide muito dificil de se escalar e que é exibida no início dos filmes da Paramount Pictures. Há tambem muitos sitios arqueológicos ao redor.

muitas caminhadas na regiao, de 1 a 15 dias. Optamos pelo contorno na cordilheira Huayhuash, uma caminhada de 8 dias e considerada uma das mais bonitas do mundo. O caminho passa por vales enormes, passos superiores a 5000m, lagoas coloridas, povoados isolados e muitas montanhas a vista. Enfim, uma trilha clássica. Porem dessa vez fizemos questao de contratar servicos de uma agencia, afinal 8 dias é muita coisa para se fazer sozinhos. Nosso grupo foi composto de 2 americanos, o guia e cozinheiro Orlando, o arrieiro Tito, nós, 4 burros para carga e 1 cavalo de emergencia caso alguém precisasse. Caminhamos uma média de 7h todos os dias, porém sem muita carga nas costas. Mas o maior conforto é ter um cozinheiro a disposicao. Todos os dias contamos com um café da manha, um snack para a trilha, e uma janta caprichada (com entrada, principal, sobremesa e cha pra finalizar). Encontramos outros grupos na trilha, inclusive um de brasileiros. E por coincidencia, um colega do Adventure Camp (o Miltinho) estava lá. Eta mundinho pequeno.


No meio da trilha tivemos o prazer de ver a enorme Siula Grande, a montanha que foi palco do acidente com dois escaladores ingleses e que virou o livro e filme Tocando o Vazio ("Touching the Void"). Do alto do passo Santo Antonio foi possível ver o caminho que um dos escaladores teve que percorrer por dias, ferido e sozinho para retornar ao acampamento base. Incrivel! Alem disso, vimos varios condores. Alguns deles passaram bem proximos a nos. Muito bonito. Tambem ouvimos muitas estorias acerca dessa regiao. Algumas envolvendo o antigo grupo maoista Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionario Tupac Amaro). Esses grupos atuaram na regiao e deixaram sua marca de sangue. Alem disso, ouvimos alguns recentes casos de roubo e assalto nos acampamentos. Por isso acho importante contar com pelo menos um arrieiro local nas trilhas por essa regiao. Mas a beleza dessa trilha compensa os riscos. Ate o momento esta é a trilha mais bonita que ja fiz.








Algumas dicas do lugar:
1. As trilhas da regiao necessitam aclimatacao. Vimos alguns turistas com problemas porque iniciaram a trilha logo que desceram do aviao.

2. Levar dinheiro trocado para pagar taxas que beneficiam comunidades locais, pois sao obrigatorias.

3. Contratamos e recomendamos a agencia Galaxia para esta trip. Algumas outras agencias oferecem o servico por um preco mais em conta, porem com um nivel de qualidade duvidoso.
Postado por: Rurik

1 de setembro de 2009

Baleias na Ilha Ballestas

Eu vi uma baleia!
Bichao enorme, era uma Humpback, maior que o nosso barco. De Junho a Setembro é o período em que essas baleias provenientes da Antartida se reproduzem em águas mais quentes do Pacífico. Aqui nas Ilhas Ballestas a vida é plena. Muitos pelicanos, leoes marinhos, golfinhos, pinguins, e muitas outras especies de aves. O lugar impressiona pela quantidade de pássaros. Sao tantas aves que a chance de se levar um guano, ou cagada, na cabeca é muito alta. Aliás esse guano que é abundante na ilha já foi muito visado no passado como fertilizante, agora o lugar esta preservado pela reserva natural de Paracas. Vale a pena conhecer.

Já a cidade de Pisco é uma tristeza. Há dois anos um terremoto de 7.8 graus atingiu a cidade. O epicentro do terremoto foi justamente Pisco. Quase tudo foi destruído, a igreja da praça principal desabou durante uma missa, matou muita gente e até hoje a cidade está sendo reconstruída. Muitas ruas estao abertas para reconstruçao das galerias, muitas casas e prédios em obras, enfim, a cidade ainda está em péssimo estado. Por outro lado a culinária da cidade é cheia de opçoes do mar. Comemos muito ceviche, um prato a base de peixe cru curado com limao. Muito saboroso, mas tem que escolher bem os restaurantes, afinal tanto eu como a Laura já passamos por complicaçoes intestinais nessa viagem, e nao temos nem um pouco de saudades.

Publicado por: Rurik