18 de julho de 2009

Trem da Morte

Depois de muitos anos retornei a cidade onde passei 1/3 da minha vida: Corumbá-MS. A cidade, que faz fronteira com a Bolivia, já teve seu período de glória em funçao do porto no rio Paraguay. Por um bom tempo operou uma linha de trem cabinado muito interessante que atravessava o pantanal até Bauru, mas hoje só opera trem de carga. Enfim, a cidade hoje nao oferece muitos atrativos alem do porto geral e de alguns museus. Nada que 1 dia de passagem resolva a questao.

Mas, é do lado de lá da fronteira que o bicho pega, no povoado de Puerto Quijarro. A mudança é brutal quando se pisa na grande naçao boliviana. A pobreza, a falta de higiene, o mau cheiro e a bagunça reinam nesse lugar. A gripe suina tambem é realidade, pois muita gente está usando máscaras de proteçao (nós também continuamos em alerta).
Logo na largada tivemos que prorrogar nossa viagem devido a uma paralisaçao geral da regiao que suspendeu todos os meios de transporte, o chamado "El Paro".


É de Puerto Quijarro que parte o famoso "Trem da Morte". Sao 21 horas de viagem até Santa Cruz de La Sierra, numa velocidade média de 50km/h e 1 parada a cada 20 minutos.
Na minha opiniao, acho que o nome deveria ser "Trem da Farofa", pois há tanta porcariada sendo vendida e consumida nos vagoes que chega a dar asco: galinha frita
, assados de sei lá o que, empanadas fritas, linguiça no espeto, etc... Parece uma grande feira rolando nos vagoes. Os ambulantes vendem de tudo e servem o rango numa marmita, com direito a molho, vinagrete, garfo e faca. O cheiro é horrível.

E o pior, todo o lixo é jogado pela janela, como se fosse normal. Alias, acho que por aqui isso é normal. Numa das estaçoes vi até um boliviano oferecendo aos passageiros um tucano na gaiola. Tudo isso ao lado dos guardas. É triste ver que o povo possui uma consciência atrasada em relaçao ao meio ambiente.
Outro ponto importante é a atençao na bagagem, pois é comum surrupiarem bolsas e malas. Especialmente na madrugada quando estao todos dormindo. Conosco nada aconteceu, afinal nao conseguimos dormir direito.

Por fim, chegamos inteiros. Foi uma experiência que valeu, mas nao fazemos questao de repetir. Sabíamos de ante-mao que esse trecho seria meio barra pesada, e assim foi. Contudo, a Bolívia tem muita coisa boa para oferecer. Por exemplo o câmbio. O Real vale o triplo do Boliviano, portanto tudo aqui é barato. Além disso, o altiplano boliviano tem muito a nos oferecer: caminhadas, pedaladas, sitios arqueológicos, salares, lagos, montanhas, e muito mais. Pretendemos adentrar essa regiao em breve, provavelmente por Sucre.

Que venha a altitude!



Postado por: Rurik

4 comentários:

  1. Parabens pelo Blog, tá ficando show... estou acompanhando todo dia.
    Que perrengue esse trem hein?
    Bom, tb, viagem pra Bolivia o que mais esperar!
    Bom passeio pra voces e mantenham os posts.

    Abraços
    FON

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  2. Pô Rurik, vc devia ter mandado esse PF ai do trem. Pelo que vc descreveu o cheiro ate abriu meu apetite. Ate estou imaginando aquele arroz da hora com um emsopado de frago que passou na frente do trem e virou carne moida.

    Sucesso ai na empreitada. Estamos acompanhando de perto.

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  3. Eu concordo sobre o PF. Aposto que a tia da foto estava se deliciando com um assado de preá.

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  4. Nossa, como o Trem da Morte está moderno! Quijarro é feio mesmo! Se não me engano, uns 10Bs de taxi te leva até uma zona franca onde da para comprar umas tralhas bem baratinho! Eu tb me ferrei com o El Paro. Tive que passar 24 horas em Quijarro. TRASH TOTAL! Mas é uma otima preparação para o trem!

    Um abraço!

    Valdecir Carvalho
    www.valdecircarvalho.com.br

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