23 de julho de 2009

Sucre

Foi em Sucre, 6 de Agosto de 1825, que a Bolívia se tornou independente. Por isso, Sucre é considerada a capital constitucional e histórica da Bolívia. É também considerada patrimonio cultural da humanidade pela Unesco desde 1991. Com arquitetura colonial, muitas igrejas, ruas de pedra e edificaçoes bem antigas Sucre nos agradou bastante.

Mas, chegar lá foi bem cansativo. Saimos de Santa Cruz de ônibus e levamos 17 horas para chegar a Sucre. Uma estrada que tinha pouca pavimentaçao; muitas curvas, pois estavamos subindo; e um cheiro de urina insuportável que vinha do banheiro do ônibus quase a viagem inteira. Posso dizer que nao dormimos. O mais hilario da viagem aconteceu lá pelas 5 da manha. Eu estava morrendo de vontade de ir ao banheiro e nenhuma vontade de encarar o "fedozao" lá de trás. Até que, por sorte, o ônibus parou e o motorista disse: "paramos por el baño". Ao sair lá fora estavamos parados no acostamento no meio do nada. Homens e mulheres fazendo xixi alí mesmo. Comecei a dar muitas risada e achei um cantinho para aliviar minha vontade. E também descobri porque as Cholas sempre usam saias.


A cidade de Sucre vale pela arquitetura e pela história. É muito gostoso caminhar pelo centro e observar as pessoas caracteristicas do local. Existe bastante coisa voltada para o turismo como restaurantes e agencias que oferecem passeios pela regiao. Aproveitamos nosso primeiro dia em Sucre para nos aclimatar uma pouco. Sucre fica a 2800m de altitude. Bem alto para quem vem de baixo e o clima seco nao ajuda em nada a respirar. No primeiro dia qualquer ladeirinha nos fazia ficar bem ofegantes.

Um dos passeios mais turisticos da regiao acontece em uma cidade próxima a Sucre chamada Tarabuco. Todo Domingo há um mercado de rua tradicional. É bem grande e se vende de tudo: roupas e acessórios, frutas e verduras, comida, instrumentos musicais. Bem interessante e cheio de turistas e bolivianos. Legal para passear, conhecer os costumes e tirar fotos. Alias este é outro comêrcio dos bolivianos. Nao vai pensando que se pode tirar foto assim de graça, tem que pagar sem exceçao e em todos os lugares que fomos. Já gastamos alguns bolivianos para o Rurik poder tirar fotos e também tempo discutindo se é correto. Enfim, se quiserem podem postar comentarios com opnioes.


Outro atrativo da regiao sao as caminhadas perto da cordilheira dos Frailes. Fizemos nossa primeira trilha por lá. A ideia era somente aclimatar, nao tinhamos grandes expectativas, mas nos surpreendemos com a beleza do lugar. Fechamos um pacote com uma agência de Sucre e fomos em 3 casais (nós, 2 holandeses e 2 belgas). O início nao posso dizer que foi dos melhores. Saímos de um terminal para pegar um transporte para Potolo. Como o ônibus estava lotado tivemos que ir de caminhao. Uma loucura. Me senti como aqueles bois que sao transportados em caminhao. Nao parava de entrar gente e se espremer. A galera comendo pollo frito (só para variar) com as maos, dando de mamar para os filhos, carregando o caminhao com farinha e outras coisas por cima da cabeça do pessoal. Se nos ficamos impressionados vocês precisavam ver a cara dos europeus. Resumo: fiquei tao espremida que tive que subir um uma madeira poder sentar, o Rurik ficou em pé com uma chola sentada em um pé e uma criança dormindo no outro por 1 hora até nosso destino.

Começamos a trilha por um antigo caminho inca descendo a cordilheira dos Frailes. Esta era uma rota pré-hispanica que os incas usaram para se refugiar da invasao espanhola. Dizem que os espanhoes acreditavam que ninguem vivia depois desta cordilheira o que permitiu que os contumes da regiao fossem preservados. Conforme iamos descendo pelo vale viamos casas rudimentares e esparsas que formavam pequenas vilas. Pessoas vivendo complemente isoladas e com costumes bem antigos. Andamos por mais ou menos 6 horas este dia. Muitas paisagens bonitas e colinas coloridas de verde, vermelho e amarelo até chegar na cratera de Maragua. Esta cratera é uma formaçao geologica única que parece ter sido formada pela queda de um meteoro. No meio desta formaçao se encontra uma vila com escola e um pequeno posto de saúde onde vivem cerca de 200 familias. Jantamos muito bem (tudo feito pelo pessoal da vila) e dorminos em uma cabana construida para turistas sem energia eletrica, mas muito confortavel, com bastante cobertor, a 3200m de altitude. A cabana é organizada por uma ONG e todo dinheiro e revertido para melhoria da comunidade.


No outro dia fomos em direçao as pegadas dos dinossauros fossilizadas. Muito interessante. Elas datam de cerca de 60.000.000 anos (fim do período cretácio - pouco antes da extinçao dos dinossauros). Alias essa regiao é um sitio arquelogico bem grande onde se encontram pegadas, conchas, e ate um tiranossauro fossilizado. Mas, nao parece que as autoridades se preocupam muito com o estudo deste lugar. Somente uma vez um arqueologo estrageiro estudou a regiao e resgistrou o que havia por lá. O mais triste é ver as crianças vendendo as conchas de caracois fossilizadas ao turistas.


Terminamos nossa jornada com um carro da agencia que nos regatou (muito melhor!) e chegamos em Sucre para nossa última noite lá. Agora devidamente aclimatados e com a sensaçao que valeu muito a pena.






Postado por: Laura

4 comentários:

  1. Uma aventura e tanto! Eu posso imaginar a cara dos europeus, rs...
    Boa sorte para vcs. Diversão eu tenho certeza que estão tendo de sobra!
    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Sucre é show tb! Fiquei pouco tempo! Acho que tem um café/galeria com umas fotos animais em expo.

    Valdecir
    www.valdecircarvalho.com.br

    ResponderExcluir
  3. Show de bola, tudo isso!!!
    Só uma correção, a data das pegadas de dinossauros deve ser de 60.000.000 de anos ao invés de 60.000.

    ResponderExcluir
  4. Valeu pela correçao Piauí. O negócio é antigo mesmo.
    Abs
    Rurik

    ResponderExcluir